Ainda possuo o manuscrito desse oneshot. É tão inocente que até me espanto.
Classificação: Livre
Gênero: Yuri, amigas de infância, amizade, romance.
Um dia especial
Hoje é um dia muito especial para mim. Pois a partir de hoje uma pessoa que considero importante vem passar uma temporada comigo, em minha casa. Eu a conheço desde a infância. O fato é seus pais se mudaram quando ainda éramos crianças e nunca mais a havia visto desde então. Até que um dia , não faz muito tempo, eu a vi no parque lendo um livro, parecia um anjo sereno centrado em sua tarefa. “Que linda cena” pensei, como estava atrasada para um curso, saí correndo desesperadamente. Contudo, eu não sabia que era ela. Na volta, me bateu aquela fome, então resolvi ir a lanchonete de sempre. Passei pelo parque para tentar vê-la novamente, porém ela não estava lá, então apressei o passo para a lanchonete. Entrando sem prestar atenção, esbarrei em alguém e acabei derrubando seu suco, quando olhei novamente era a garota do parque, eu fiquei sem ação. Depois eu me acalmei, pedi desculpas, fiz meu pedido e começamos a conversar. Já estava tarde e eu precisava voltar para casa para encontrar uns antigos vizinhos quem voltaram à cidade. Ela disse que também tinha compromisso, então nos despedimos e tomamos nossos respectivos caminhos. Cheguei em casa atrasada, por causa do ônibus, e encontrei aqueles vizinhos e sua filha, que segundo a ‘mama’ tem a mesma idade que eu e foi minha amiguinha de infância, e, que para minha surpresa, era a garota do parque e da lanchonete. Nessa hora, minha ‘cara foi no chão’, deve ter sido muito engraçada, eu queria ter visto.
Hoje também é o dia em que vou tentar contar para ela um segredo que tenho guardado dentro do meu coração, desde aquele dia no parque. Depois desse dia fizemos tantas coisas juntas, que a pequena chama acabou transformando-se em um incêndio. E a ideia dela vir passar uma temporada aqui foi da ‘mama’, já que eles iam viajar, porque não botar duas garotas bem comportadas e organizadas dentro de uma casa só? Isso é idéia de maluco, duas garotas dentro de uma casa, sozinhas. Será que eles não pensam no que pode acontecer? Mas eles não sabem o que eu sinto por ela, então para eles deve estar tudo bem. Ah! Ela chegou. Espero que dê tudo certo.
Ai, desde que ela chegou, e nossos pais partiram, não tenho feito nada direito. Tenho estado muito nervosa, será que é por que estamos a sós? Mas eu já fiquei sozinha com ela e não lembro de ter ficado assim. A primeira coisa que ela perguntou foi onde colocava as malas com as roupas, então respondi que ia ficar no quarto dela, “daí” ela disse que achou que iria dormir no meu quarto, comigo. Devo ter ficado da cor do tapete do corredor. Como eu fiquei sem ação com tais palavras, fechei os olhos e disse que tanto faz. Não consegui ver a expressão dela, por que estava com medo da minha própria. Mas parece que ela ficou satisfeita. O resto foi praticamente normal, tirando as “mancadas” que eu dava e as respostas “sinistras” que recebia. Até a hora que resolvemos ler um pouco. O livro que eu queria estava um pouco difícil de pegar. Então me estiquei ao máximo e quando consegui perdi o equilíbrio e acabei caindo em cima dela. Nossos lábios se tocaram por um segundo. Levantei rápido, pedi desculpas, me ajeitei desengonçadamente e fiquei com o rosto todo vermelho. Ela disse que estava tudo bem, que fora um acidente, mas que eu estava agindo estranhamente desde cedo. Então acabei levando-nos a uma discussão:
- Eu estou estranha hoje?! – Indaguei.
- Sim, você está! – Respondeu.
- Mas não sou só eu que estou estranha hoje! Você quer saber por que eu estou assim hoje?!
- Mas o quê.. Quero saber sim, me diz, por quê?
- Por sua causa!
- Hã?! Como é que é? Por mim? Me explica isso, e se você não me quer aqui, eu posso ir embora!
- Não é isso! Por favor, não se vá! Mas acho que não vai gostar da explicação...
- Por que você acha isso?! Anda, fala logo, eu só quero saber a verdade, prometo que não vou me importar.
- ...Está bem.Eu não quero que fique chateada comigo. É que eu gosto muito de você e quando eu fico sozinha com você eu fico muito nervosa e sem saber o que fazer. – disse enrubescendo.
- Ah, é só por isso? Eu também gosto muito de você, não precisa se preocupar. Mas já ficamos várias vezes sozinhas e você nunca agiu assim.
- Sim! Só que nunca ficamos realmente sozinhas. Se você não reparou, não tem ninguém aqui. Eu sei que você gosta de mim, mas o meu gostar é diferente do seu. Na verdade esse tem sido o meu segredo desde a primeira vez que te vi.
- Hihihi. – Riu levando a mão a boca. – Você acha que eu não percebi? Me responda, por que você acha que eu aceitei ficar aqui com você?
- Hm? Por que não queria ficar sozinha?
- Em parte sim. Mas na verdade, eu queria ficar a sós contigo por um tempo e por que queria te contar uma coisa que não posso dizer para mais ninguém...
- Não consigo te entender. Mas sabe, eu não espero que vá retribuir os meus sentimentos, só gostaria que os entendesse.
- Oh, sim, eu os entendo. – Chegou mais perto e me abraçou, encostou a boca em meu ouvido – Por que sinto a mesma coisa que você. – Depois olhou no fundo dos meus olhos. Não tive tempo de dizer uma palavra, só consigo lembrar de uma coisa: seus lábios me beijando.
Fim.
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