Foi engano
O filme
As duas se espantaram e ficaram com medo de que fosse algum parente. Para sorte delas, era Luci Salgado, um famoso diretor e roteirista. Antes de alguém perguntar, ele começou a se explicar:
- Lindo, lindo! - exclamou excitado – Há..ram, vim fazer uma visita.
- Tudo bem, Luci. Você realmente não sabe mentir, o que foi? - Disse Catherine, mais calma.
- Tenho uma notícia para você: o estúdio autorizou a produção do filme, então vim renovar o convite para protagonizá-lo.
- "Aquele" filme?! Será um prazer.
- Eu ia sugerir fazer testes para a vaga da amiga de sua personagem, mas não acho que seja necessário.
- Por quê? - Perguntou Catherine curiosa com a decisão do roteirista.
- Lúcia, é este seu nome, não? - perguntou para Lúcia, que confirmou. - Você não gostaria de fazer um papel neste filme?
- Eu... Eu... Não sei... - hesitou Lúcia, surpreendida com o inesperado convite.
- Se você recusar, eu desisto do filme. - retrucou o diretor.
- Por quê? - Lúcia estava confusa.
- Por quê?! Simplesmente porque vocês duas formam o casal mais belo que já vi. A química entre vocês é perfeita! É disse que o filme precisa. - explicou Luci.
- Hm... Está bem. - Concordou, ainda confusa sobre o tema do filme. Lúcia não percebeu, mas Catherine ficara vermelha e paralisada com a decisão do diretor.
- Deixe-me ver. Quantos anos você tem, Lúcia? - Perguntou-lhe o diretor, e ela respondeu. - Como é menor de idade, vou ter que mandar uma autorização para seus pais assinarem, pois o filme terá algumas situações adultas.
- Tudo bem.
No dia seguinte, Lúcia assinou o contrato. Se quisesse
desistir, já não poderia mais. Pegou uma cópia do roteiro. Após ler um terço,
descobriu o porquê da autorização. Ela não conseguia se imaginar atuando em
tais cenas com sua amiga.
Poucos dias depois, os pais de Lúcia receberam o tal pedido de autorização. Ficaram surpresos e passaram um bom tempo pensando sobre deixar ou não sua filha fazer o filme. Até que o telefone tocou. Era Catherine que pediu, sem precisar implorar, aos pais da amiga que assinassem a autorização, pois a Lúcia faria um papel imprescindível no filme e ela era insubstituível. Mas antes que Catherine pudesse explicar esse motivo, a mãe de Lúcia assinara o papel. Isto pelo simples fato de ter sido um pedido de Catherine Van Der Walls, a atriz. Assim, Lúcia foi gravar seu primeiro filme.
Poucos dias depois, os pais de Lúcia receberam o tal pedido de autorização. Ficaram surpresos e passaram um bom tempo pensando sobre deixar ou não sua filha fazer o filme. Até que o telefone tocou. Era Catherine que pediu, sem precisar implorar, aos pais da amiga que assinassem a autorização, pois a Lúcia faria um papel imprescindível no filme e ela era insubstituível. Mas antes que Catherine pudesse explicar esse motivo, a mãe de Lúcia assinara o papel. Isto pelo simples fato de ter sido um pedido de Catherine Van Der Walls, a atriz. Assim, Lúcia foi gravar seu primeiro filme.
Falemos do filme. Este era drama romântico que contava a estória de um casal feminino que mantinha um relacionamento secreto. Porém nenhuma das duas assumia seu amor. Uma, a personagem de Catherine, intitulava a outra, personagem de Lúcia, de serva, o que dificultava a percepção destes sentimentos. Bom, era mais ou menos isso que iria para os jornais e revistas como resumo. O fato é o filme tinha muitas cenas picantes, depois de lançado, alguns críticos disseram que algumas dessas cenas deram um charme no filme.
Voltando a nossa estória, as duas começaram a pesquisar sobre o assunto. Foram a boates, chegaram até a assistir alguns 'hentais' juntas. O tempo que ficou na cidade grande gravando, Lúcia ficou bem hospedada na casa de Catherine. Algumas semanas se passaram e as gravações começaram. Nos primeiros dias, tudo ocorreu bem. Mas quando Lúcia e Catherine tiveram que encenar o primeiro beijo de suas personagens, elas ficaram tensas. Enquanto ficaram cenas de beijos e amassos, elas fizeram bem e da forma mais profissional. Só que de vez em quanto, sem perceberem, elas se beijavam de verdade. E era disso que Luci gostava de ver, e o que realmente queria que acontecesse. Enfim chegara o dia da "grande punição", era como a personagem de Catherine denominava, e explicava sua primeira vez com a personagem de Lúcia. O grande problema para ambas não era ter que atuar semi-nua, mas ter que ficar de corpos colados. Após várias tentativas, finalmente conseguiram gravar a cena. Foi uma cena difícil para Catherine, pois era ela que tinha que fazer tudo. Mas ambas saíram trêmulas e ofegantes, como se quisessem mais. Lúcia mais que Catherine. O diretor percebeu isso, apesar delas terem disfarçado o máximo que puderam, e se sentiu satisfeito.
Nem todas as cenas eram de Catherine e Lúcia. Quase no meio da estória, a personagem de Lúcia começou a namorar um rapaz. O ator era Greg Romano, um jovem másculo, viril e belo. Toda vez que ele parava para conversar com Lúcia nos intervalos tentava conquistá-la. Chamava para sair, elogiava seu trabalho, algumas revistas de fofocas ousavam dizer que eles estavam namorando. Lúcia não se incomodava, apenas achava graça, mas havia uma pessoa que, definitivamente, não estava gostando dessa amizade repentina e nem essas notícias nas revistas. A cada risada espontânea que Lúcia dava ao conversar com Greg, Catherine, que os observava como uma leoa a sua presa, a cada segundo desgostava mais do companheiro de profissão. Ela não sabia, ou talvez soubesse, o motivo que a levava a odiar profundamente ver os dois conversando. Odiava-o ainda mais quando tinha uma cena de beijo. Todo esse ódio não ajudou Catherine na cena de "revanche" de sua personagem, onde a mesma o beija sem nenhum impedimento por parte do namorado da 'amiga'. Se essa personagem fosse real, Catherine e ela se entenderiam perfeitamente, pois a primeira possuía o mesmo sentimento daquele momento. Agora era a vez de a serva castigar a mestra. A personagem de Lúcia assistiu "de camarote" o que aconteceu entre seu namorado e sua "amiga". A cena da "punição" fora gravada em uma banheira, que era da personagem de Catherine. A parte em que sua personagem se despia, Lúcia fez perfeitamente de primeira, mas a parte em que ela começava com as carícias ela teve uma enorme dificuldade. O problema era iniciar, porque ela sabia que se começasse, seria difícil parar. Era um beijo que não encaixava, um tal de 'sem jeito' que 'mandava lembranças', até que o diretor aconselhou a Lúcia que ela imaginasse uma cena que odiaria ver, pois era assim que sua personagem se sentiu ao ver sua 'mestra' e seu namorado se beijando. Acatando o conselho, Lúcia respirou fundo, olhou para Catherine, que se encontrava em sua frente na banheira, e fechou os olhos para imaginar algo que ninguém soube o que era. Mas que fora algo que funcionara. Ela fez um olhar meio sexy e misterioso e disse que estava pronta. Catherine se espantou com tal olhar, pois nunca o vira antes. Assim que Salgado gritara 'ação', Lúcia começou. Foi a cena mais perfeita que ela fizera até o momento. Até o "corta" Catherine se entregou completamente aquela Lúcia enfurecida e perversa. E mais uma vez ambas saíram trêmulas, ofegantes e querendo mais. E via-se um diretor satisfeitíssimo com a atuação delas. Mas uma coisa mexia com a imaginação de Lucy: a cena em que as duas personagens finalmente se declaravam.
Catherine se preparou mais do que o normal para tal cena. Lúcia também treinou muito. A tal cena era relativamente delicada, a personagem de Catherine andava distraidamente pela rua, quando um caminhão desgovernado veio em sua direção. Quando estava para ser atropelada, a personagem de Lúcia a salva, mas esta é atropelada em seu lugar. Ela é arremessada para longe. Ao perceber o que aconteceu, a personagem de Catherine entrou em desespero, e ao ver o estado em que sua 'amiga' estava ficou mais desesperada que antes. A personagem de Lúcia banhava-se em uma poça de seu próprio sangue. Sem se importar com tamanha quantidade de sangue lhe sujando, a personagem de Catherine se abaixou, abraçou aquele corpo que perdia sangue freneticamente e começou a suplicar com a voz trêmula. E nesse exato momento Catherine esqueceu-se completamente da fala. E incorporando sua personagem voltou a olhar o que estava em seus braços com o rosto respingado de sangue e um caminho vermelho que saia do canto da boca. Pelo fato de Catherine estar demorando a começar a falar, Lúcia abriu os olhos. Elas trocaram um olhar intenso, foi quando Catherine começou a improvisar.
- Por quê...? Por favor, não... Você não pode... É uma ordem! Por favor, fique. Eu não... - Catherine começou a chorar.
- Cof, cof! Ah... - Fora uma tosse carregada de sangue. Mas Lúcia também esquecera as falas que tanto treinara e partiu para o improviso. - Por que choras? Esta serva mais uma vez será desobediente... Desculpe por...
- Você não precisa se desculpar por nada. Se você... Eu não vou mais conseguir viver aqui sem você.
- Por que... um servo é... de extrema importância... para seu mestre, não é mesmo?
- Não é isso! Qual a graça de viver em um mundo onde a pessoa que me é mais cara não existe?
- Então eu... Sou importante para você?
- Você é aquela que preencheu o vazio do meu coração, a minha razão para viver. Agora, sem você eu sou aquilo que mais detesto. Tu és a única pessoa que consegue fazer meu coração palpitar de alegria com o simples pensamento de sua presença.
- Que bom saber que faço isso em você... Fico feliz, pois sempre desejei lhe falar isso... Já tentei te esquecer várias vezes... Uma delas foi arranjando um namorado... Mas você se apossou dele... - As lágrimas de Catherine não cessavam, Lúcia levou, com dificuldade, uma das mãos até o rosto da amiga e começou a acariciá-lo carinhosamente.
- Eu o roubei porque não suporto ver alguém além de mim ao seu lado. Pois desde o primeiro dia que te vi e que te fiz minha serva a única coisa que eu queria era que o meu desejo egoísta de ter você só para mim fosse atendido.
- E conseguiu... Eu nunca quis outra pessoa além de você depois de te conhecer... A coisa que eu mais odeio ver é você beijando "os outros."
- Também não suporto te ver muito íntima de outra pessoa...
- (Nome da personagem de Catherine), eu... quero dizer que... - uma grande quantidade de sangue saiu da boca da personagem de Lúcia. E suas pálpebras começaram a pesar.
- Não feche os olhos! Por favor, fique comigo! Não me deixe. Não morra! Porque eu estou mandando! Não... Porque... Porque eu te amo!
- Que bom... Poder ouvir isso de você... Porque eu... te amo. Dizer isso me dá um alívio no coração.... - sem dizer nada, Lúcia fez um esforço descomunal para beijar Catherine, que o fez fervorosamente. Um beijo tão real quanto sua declaração de amor.
- Eu te amo tanto... Obrigada... Eu amo muito voc... - disse a personagem de Lúcia em seu último sopro de vida.
- Não, não, NÃO! Acorda, estou mandando, sua serva inútil... Acorda! - a personagem de Catherine recomeçou a chorar e continuava a repetir "sua serva inútil" beijando freneticamente aqueles lábios que esfriavam rapidamente, que um dia foram vermelhos e que clamavam secretamente por seus beijos. A chuva começou a cair, levando consigo para o bueiro uma coloração avermelhada que continha todas as lembranças de uma vida. Ouviu-se o anúncio da ambulância. Comovido, como todos que estavam presentes, o diretor gritou "corta" e como que por mágica aquela que parecia morta se levantou. Todos elogiavam Lúcia e Catherine pela brilhante atuação. Fingindo tranquilidade e naturalidade, elas se dirigiram ao camarim. Este era amplo e bem iluminado, além de possuir um banheiro. Assim que Catherine fechou a porta, Lúcia falou em um tom irritado:
- Por que você fez 'aquilo'?! - Ela já se acomodara encostando-se à bancada, que ficava a altura do quadril.
- 'Aquilo' o quê? - Perguntou realmente confusa.
- Você me beijou 'de verdade'! Por quê?! - respondeu cruzando os braços e acentuando o 'de verdade'.
- Se acha que para um beijo ser 'de verdade' basta colocar a língua no meio, está muito enganada! - Disse com um leve tom irritado - E você não tem o direito de reclamar sobre isso, porque sempre que nos beijávamos em cena acabávamos nos beijando 'de verdade'!
- Hmpf... - Pareceu encabulada - Se isso não é um beijo de verdade, então o que é?
- Você não sabe?! - espantou-se. Lúcia deve ter se arrependido por perguntar, ou não.
- Hã?! - Catherine descruzou os braços de Lúcia, colou seu corpo no dela e a beijou. Quando Lúcia tentou escapar, Catherine a abraçou e a encurralou na bancada. Lúcia desistiu tão rapidamente de resistir que até se espantou. A cada segundo, Catherine aprofundava o beijo e pressionava seu corpo contra o de Lúcia como se quisesse se fundir com ela. Lúcia não sentia mais seu quadril ser pressionado contra a bancada pelo de Catherine, ela só sentia o calor vindo do corpo daquela que a beijava fervorosamente. Um beijo tão diferente dos outros, então aquilo era um beijo 'de verdade'? Elas não sabiam a quanto tempo estavam ali, mas tinham certeza de que, se pudessem, ficariam assim para sempre. Separaram-se quando ficaram sem fôlego.
- Isso é um beijo 'de verdade'. - disse Catherine quase sem ar.
- ... Por quê?
- Porque eu quis.
- Por quê? - Lúcia viu Catherine ficar vermelha.
- Porque o meu improviso não foi um improviso. Tudo que eu disse lá em cena é a mais pura verdade. Eu me desesperei só de imaginar você morrendo de verdade, acho que eu não aguentaria.
- Oh, Cat. Fico lisonjeada com tais sentimentos - Lúcia estava comovida, mas ela não sabia o que dizer, pois ela não tinha certeza do que sentia realmente. - Eu... - Lúcia não pôde terminar, pois bateram na porta. Elas se deram conta de que ainda estavam maquiadas. Lúcia apressou-se para o banheiro. Era o diretor.
- E aí, meninas? Vocês foram ótimas! - Lúcia gritou um "obrigada" do banheiro e Catherine apenas sorriu. - Catherine, ainda não está pronta para a próxima cena?
- Sinto muito. Dá-me cinco minutos.
- Tudo bem, mas nem mais um segundo, OK? - Ao dizer isso, Luci se retirou.
Fim da parte 5
...
ResponderExcluir...
...
Estou a chorar! A maneira como explicas te a cena em que lucia morre(no filme) esta tao bem explicada, parecia que eu estava a viver aquele momento, a sentir aquilo que elas sentiam e acabei chorando...
Muito obrigado por este capitulo maravilhoso, espero anciosamente pelo próximo :)
Obrigada!!! Seu comentario me deixou tão faliz! Significa que consegui me expressar bem e passar o sentimento que queria *.*
ResponderExcluir