quarta-feira, 1 de maio de 2013

[Oneshot - Original] O príncipe

Ainda me lembro que tive a idéia desse oneshot no ponto de ônibus =p

Classificação: Livre
Gênero: Yuri, amizade, romance, debutante.



O príncipe

- Ah! Eu queria tanto saber quem será o meu príncipe! - Disse entusiasmada para minha amiga. Era véspera da minha festa de quinze anos e eu tinha pedido a minha mãe uma daquelas festas com tudo que tinha direito. Sem contar que eu queria valsar com um príncipe. Pode parecer meio brega isso, mas era o que eu queria de coração. Então minha mãe disse que ia arranjar um pra mim, só que seria uma surpresa. E eu ficava imaginando quem ela arranjaria pra dançar comigo.
- Ai, Ro. Pára de ser apressada! tudo a seu tempo. - Respondeu Juliana, Juju ou Jú para os íntimos. Estava rindo de mim.
- Só estou curiosa. Não posso, não? - Perguntei indignada. Juju estava se divertindo as minhas custas. Muita crueldade dela. Fiz biquinho.
- Claro que pode. Fica assim não... - Ela veio e me abraçou. Nisso seu longos cabelos lisos me engoliram. Senti o cheio dela misturado com o do shampoo. O cheiro dela era gostoso. Senti um coisa estranha, mas não dei muita importância.
- Você sabe de alguma coisa? - Ela... tremeu?
- Por que eu saberia? - A voz dela estava meio exitante. Juliana ainda me abraçava.
- Sei lá. Você e a minha mãe andam muito juntas ultimamente. - Respondi me soltando.
- Ah, eu só estou ajudando ela com algumas coisas. - Pra mim ela ainda parecia nervosa. Será que estaria realmente escondendo algo de mim?
- Ichi, olha a hora! - Disse olhando o relógio. - Tenho que ir. Preciso encontrar o Lucas. Tchau! - Falou me dando um beijo na bochecha.
- Já? Poxa, eu pensei que ia poder te alugar um pouco mais. - Ela me olhou com tom de reprovação. - Tá bom! Bye. - Que saco! Esse Lucas anda me atrapalhando muito esses dias. Digo, eu quase não conversava mais com a Jú por causa dele. Quando começamos a conversar direito ela tem que ir se encontrar com ele. Quem é ele? É um amigo da Juliana, ele é muito lindo e segundo ela ele tá ajudando na organização da minha festa. Será que ela está saindo com ele e não me contou? Esse simples pensamento me deixava mal e eu nem sabia por quê. Devia ser porque ela era minha amiga e amigas contam as coisas umas para as outras, né?

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- Preciso te dizer isso. É uma coisa muito importante e eu preciso desabafar. Eu gosto, eu amo sua filha, tia Nanci. Tudo bem se a senhora não quiser mais me ver ou se mandar eu me afastar dela, mas eu a amo muito. só quero que saiba disso. - Foi assim que eu declarei todo meu amor a mãe da minha melhor amiga. Quero dizer, todo amor que eu sentia pela filha dela. Eu estava meio apavorada, mas queria que ela ficasse sabendo antes. Se era para arranjar confusão com a tia Nanci, que fosse antes então. Mas recebi uma resposta inesperada.
- Eu ia adorar te ter como nora, mas acho que você deveria falar com a Roberta primeiro. - Ela estava... sorrindo?! Como assim?! Ela não se importava em ter uma garota gostando da filha dela? Eu realmente fiquei espantada. - Juliana, você é uma ótima garota, por isso não me importo. - Acho que ela reparou na minha cara de espanto. - Outra coisa, você já falou isso para seus pais? - Ela parecia preocupada comigo, a tia Nanci era tão legal.
- Já. - Mas meus pais também eram.
- O que eles disseram? - Seu tom era preocupado.
- Que já desconfiavam  Focaram felizes por eu ter contado e também por confirmarem que era a Roberta. Eles não se opõem  Que já tinham a minha irmã para lhes dar netinhos. - Disse rindo e a tia Nanci riu também. - Eu só não sei como vou contar pra Ro. - Fiz um expressão sofrida.
- Se quiser, posso te ajudar. Eu sei que minha filha gosta muito de você, só não sei como. - Sugeriu fazendo cara de "talvez eu saiba".
- Como? - Eu estava curiosa. Ela ia me ajudar!
- Você vai ser o príncipe! É uma ótima maneira de se declarar. Bem romântica. - Respondeu sorrindo.
- E se ela não gostar? - Esse era meu medo e umas das possibilidades.
- Podemos dizer que foi uma brincadeira e mandar vestir um garoto e dizer que ele é o verdadeiro. - Cara! Até parece que ela já tinha tudo planejado!
- ... - Eu estava sem palavras. - Tá bom...
- Bom, então vai ter me ajudar nas outras coisas também, está bem? - Que aproveitadora! Então era por isso que ela queria me ajudar! Tudo bem, pelo menos ela estava do meu lado. Mas isso ia ser muito difícil de esconder da Roberta.

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Mas eu não aguentei e acabei saindo de casa atras da Juliana, sem ela saber, claro. Ela encontrou o Lucas na praça, que era perto da minha casa. Se abraçaram por uns trinta segundos. Argh! Isso é muito tempo! Por que ela trata todo mundo assim, tão carinhosamente? Se bem que a única pessoa que ela abraça por tanto tempo sou eu... Depois dois beijinhos no rosto. Eles deram os braços e foram até um alfaiate (Gente, nem sabia que isso ainda existia...). Ficaram quase uma hora lá dentro, já estava morrendo de tédio quando eles saíram. O lucas estava com uma sacola na mão. Será que era ele o meu príncipe? Eles se despediram e... deram um selinho! Como assim?! A Juliana estava mesmo saindo com ele e não me disse nada! Peguei o cel e liguei pra ela.
- Oi, Juju. Você pode passar o dia comigo amanhã? - Perguntei.
- Ai, Ro, desculpa. Não vai dar. Tenho que resolver um monte de coisa amanhã. Só vou poder te ver na hora da festa. - Eu sabia! Ela vai ficar com ele o dia todo amanha! Isso é desculpa esfarrapada! - Por quê? Ah vou comprar seu presente agora. Passo aí pra te dar hoje. - Epa! Tenho que chegar em casa antes dela.
- Por que eu queria sua companhia. Ultimamente o máximo de tempo que ficamos juntas foi duas horas. - Reclamei e vi ela dando um grande sorriso. O que me deixou feliz. - Tudo bem então. To te esperando. Beijos, tchau. - Desliguei e a ultima coisa que vi foi a cara de boba olhando para o celular. Será que estava esperando uma ligação de alguém? Corri para casa. Mais dez minutos e a Juliana chegou. Estava com uma sacola.
- Pra você. Feliz aniversário adiantado! - Me deu um abraço bem longo. Ela estava suada e seu cheiro entrou pelas minhas narinas. Não sei por que, mas meu coração disparou. - Espero que goste do presente. Eu estava com pressa então não deixei a moça embrulhar. huahuah desculpe por isso.
- Tudo bem. - Eu abri, era um livro do Stephen King! Simplesmente adoro este autor. - Adorei! Estava querendo mesmo este livro! - Dei outro abraço nela.
- Fico feliz que tenha gostado. - Comentou sorrindo. - Bom, tenho que ir agora. Tenho que terminar de ver a roupa que vou usar amanhã. E ainda vou acordar cedo. - Disse desanimada. Tá bom, eu concordo que ela parece meio cansada ultimamente... Mas vai acordar cedo pra ficar com ele! Que absurdo! Ao invés de passar o dia comigo, a aniversariante, vê se pode?!
- Poxa... Tá bom... Mas quero que você chegue cedo na festa. - Pedi dando outro abraço. Nossa! Quanto abraço!
- Vou tentar. - Sorriu e beijou meu rosto. De novo senti o cheiro do seu cabelo. Ótimo cheiro. Digo, que cabelo! Castanho claro, liso até a cintura, um sonho de cabelo para qualquer garota. Mas a Juju não liga muito pra isso, do jeito que ela é doida pode cortar de uma hora pra outra sem se arrepender. Acho que se ela o fizesse não a reconheceria... To tão acostumada com ela de cabelo grande... E ela saiu, me deixando sozinha como começou a fazer desde que a minha mãe pediu a ajuda dela pra organizar a festa.

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Eu aceitei ajudar na organização da festa, mas não sabia que ia ser tão cansativo! 
Fiquei responsável pela minha roupa de príncipe, de despistar a Roberta, de descobrir onde a Ro queria a festa e o que ela queria de presente da mãe (Ela nunca diz o que quer ganhar...), pesquisar preço das coisas(É claro que a tia Nanci também estava fazendo isso!) e as coisas que apareciam na hora. Tive que pedir ajuda do Lucas pra despistar a Ro. Ele é meu melhor amigo, depois da Roberta. Ele sabe que eu gosto dela e me dá a maior força,afinal, ele sabe o que estou passando. Lucas é gay, mas poucas pessoas sabem disso. Foi muito difícil esconder da Ro que eu seria seu príncipe... Minha sorte era que eu quase não tinha tempo pra ficar com ela, bem, sorte e azar ao mesmo tempo. Na véspera ela veio me perguntar quem seria o tal "garoto". Eu estremeci faltava um pouco mais de vinte e quatro horas para o meu disfarce terminar e a pressão era grande.O que me salvou foi que eu tinha que ir no alfaiate fazer os últimos ajustes da roupa de príncipe e pegá-la. Eu também teria que usar uma roupa feminina e meu vestido já estava comprado.
Nesse dia, a Ro tava muito estranha. Ficou dizendo que quase não nos viamos mais e que passavamos pouco tempo juntas. Acho que ela entendia que era por causa da festa. Depois que saí do alfaiate, passei uma vergonha quando o Lucas me deu um selinho, sabe como é, coisa de gay... Meu celular tocou, era a Roberta. Disse que queria que eu passasse o dia seguinte com ela. Sem chance! No dia da festa eu não ia ter tempo pra nada! Mesmo que eu quisesse, e eu queria, não ia ter tempo pra nada. Ainda tinha que comprar o presente dela, sorte já ter algo em mente (Algo em mente o caramba! Tive que descobrir as coisas que ela queria ganhar e apesar de muito ama-la, foi um saco! Pessoa indecisa é foda.). Avisei que passaria lá para entregar o presente, mas não pude deixar de sorrir quando Ro disse que queria minha companhia. Ela ficou contente e desligou. Continuei olhando para o celular e sorrindo como uma boba, ela sentia minha falta! Foi a livraria e comprei o livro que ela queria. Estava com tanta pressa, que nem deixei a vendedora embrulhar. Precisava ver a cara dela, ficou desesperada. "Senhorita... Preciso embrulhar..." Com os olhinhos esbugalhados implorando. Na casa da Ro foi quase a mesma coisa, só que com ela pedindo secretamente pra eu ficar mais um pouco. Ela ficara feliz com o presente(É né. eu nem esperava que isso fosse acontecer...). E eu saí de lá fazendo uma promessa que sabia que não cumpriria, chegar cedo na festa.
No dia seguinte, acordei cedo. Fui ajudar a arrumar alguns últimos detalhes da festa. Depois fui para o salão, tinha que fazer um corte no cabelo. Algo que preso de uma forma, me deixaria parecida com um menino e de outra uma menina. Fiz um corte batido na nuca onde os fios iam alongando a medida que ia pra frente do rosto e um franjão que ficava em cima dos olhos. A cabelereira ficou com o maior remorso, já que meu cabelo era grande. Eu tava no salão esperando a minha vez quando a Roberta ligou.
- Você vem? - Falou com a voz receosa.
- Que pergunta, mulher! Claro que eu vou, só que ainda estou no salão. - Respondi meio nervosa.
- Você no salão?! Minha festa deve ser algo muito importante. - Ela tav zuando com aminha cara, né?
- Se é. - Respondi no memso tom, mas era serio. Aí a chegou a minha vez.
- Tenho que ir, chegou minha vez. Beijos. - E desliguei ao ouvir a resposta dela, que parecia mais um resmungo. Quando terminei de fazer tudo, já eram sete e meia e a festa começava as oito. A dança com o príncipe seria no começo da festa, já que ela tinha que me ver primeiro como ele e depois como a Juliana. Oito e meia e eu ainda estava em casa. Quando eu estava saindo a tia Nanci me ligou dizendo que já tava na hora do príncipe aparecer. Eu sabia que a Roberta estava aflita, já que nem eu e nem o principe haviam dado as caras.

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Acordei tarde e senti falta da Jú. Ela sempre me acordava no dia do meu aniversário. Ela entrava sorrateiramente no meu quarto, pulava em cima de mim gritando "Acorda preguiçosa!". Depois me dava um belo de um abraço e me desejava feliz aniversário. Tomei café com meus pais, que vieram me dar meu presente. Era aquela camera digital que eu estava namorando a um tempão! Vermelha, dose megapixels e touchscrean. Isso devia ser obra da Juju, já que ela sempre sabe as coisas que eu quero. Passei o resto da manhã recebendo ligações de aniversário, mas nenhuma da Jú. Isso me dixara meio triste, confesso que estava inconformada de não a Juju por perto como sempre. Eu sabia que ela estava no local da festa ajudando e estava ocupada fazendo algo pra mim, mas não deixava de ficar chateada.E eu não podia ir lá por que minha mãe queria fazer surpresa. Ai, Ai, dona Nanci e suas surpresas... Almoçei lasanha na casa da minha tia e de sobremesa teve sorvete. Quando deu umas três horas, não resisti e acabei ligando pra ela.
- Você vem? - Perguntei nervosa.
- Que pergunta, mulher! Claro que eu vou, só que ainda estou no salão. - A voz dela estava estranha, mas...Será que eu ouvi direito? a Juliana estava no salão de beleza?
- Você no salão?! Minha festa deve ser algo muito importante. - Brinquei meio ironica.
- Tenho que ir, chegou minha vez. Beijos. - Falou apressada.
- Beijos. - Tudo que eu podia fazer era desligar.

Quando eu cheguei no lugar da festa fiquei boquiaberta. Estava tudo muito lindo! A decoração era delicada, tudo feito com rosas de cores variadas. Arranjos coloridos, monocromáticos. tudo exatamente como eu queria, cheguei até a ficar emocionada.Varios amigos meus já estavam lá, mas nada da Juliana. Eu até já havia esqueçido essa coisa de príncipe pensando na Jú, quando eu vi um rapaz extremamente lindo vindo em minha direção. Não sei porque, mas ele me pareceu familiar. Analisando a roupa que estava usando, parecia até um príncipe. Pera aí! Principe!? Esse cara lindo era meu principe! Até que enfim a dona Nanci acertou! Quando chegou perto, vi que era um pouco mais alto que eu, digamos da altura da Juliana. Ai, porque pensar na Jú a uma horas dessas que tem um cara lindo comigo? Me deu um sorriso ligeiramente familiar e me tirou para dançar. Não conseguia ver o rosto muito bem por causa da franja e por que o lugar estava escuro. Quem se importa, ele era lindo e cheiroso.
- Qual seu nome? - Perguntei enquanto dançavamos. Ele fez uma cara estranha pigarreou e respondeu.
- Julian...Juliano. - Nossa que coincidencia!
- Que legal. Tenho uma amiga com este nome, só que ela ainda não chegou. - Fiz um expressão triste.
- Não fique assim, tenho certeza que ela virá. - Disse me dando um beijo na testa.
- Obrigada...
- Desculpe mas não posso ficar muito...- Ao dizer isso sorriu. - Tenho outra festa para ir. - Falou de um jeito que parecia a... quem? Eu estava enfeitiçada por ele. Depois de algumas danças ele me largou dizendo que era hora de ir. - Sinto muito, mas preciso ir...
- Espera! - Segurei-o, puxei e tasquei o maior beijo nele! Cara! Vê se pode eu beijar na boca um completo desconhecido! Mas ele era lindo... Ele pareceu assustado mas correspondeu ao beijo. Estranhamente aquilo não parecia a boca de um rapaz... Parecia a boca de uma garota. Não que eu tenha ficado com alguma garota antes, mas era tão delicado... Me derreti todinha. Assim que o laguei, saiu correndo. Fiquei sem entender nada. Vinte minutos depois finalmente Juliana chegou. Mas quando eu olhei para ela senti uma tristeza tão grande...
- Isso é hora?! - Tentei disfarçar. Assim que ela me olhou fiquei vermelha e ela também ficara. Mas foi aí que eu vi a mundaça drástica. - Juliana! Cadê o seu cabelo?! - Quase gritei.
-Tirei pra lavar. Calma, cresce de novo. Vem cá me dá um abraço, aniversariante chata! - Ela abriu os braços e me abraçou. Meu coração acelerou tanto que eu pensei que fosse parar.
- Porque demorou?
- Tive uns problemas aí. O importante é que eu cheguei né? - Disse com um sorriso que não deixou meu coração parar de bater forte. Por que tive a impressão de que já o tinha visto hoje?
- É..Sim... - E nós fomos terminar de aproveitar a festa. O engraçado é que não pensei nem um minuto sequer no cara lindo que tinha sido meu príncipe. Depois da festa, pedi a tia Vera, mãe da Juliana, que deixasse ela dormir lá em casa e ela deixou sem nem pensar duas vezes.
Nós chegamos mortas em casa. Caímos na cama e apagamos, nem chegamos tomar banho. No meio da noite eu acordei e olhei pra Jú, ela parecia meio preocupada, mas estava tão linda. Levantei e fui tomar banho. Quando voltei pro quarto, ela tinha se mexido de uma forma que a franja ficou no rosto. Levei um susto. Era igualzinho... Não acredito!

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Cheguei na festa e fui direto falar com a Roberta. Já tinha combinado tudo com a tia Nanci pelo telefone. Silenciosamente tirei-a para dançar. Quando ela perguntou meu nome eu gelei, mas acho que tirei de letra. Disse meu nome no masculino. Eu estava decpcionada, ela não havia me reconhecido! Que tristeza, pelo menos ela não sabia que era eu e não ficaria com nojo de mim...(Lembra? uma das possibilidades.) Falou que tinha uma amiga com o mesmo nome só que não tinha chegado ainda(É mesmo?! Obrigada pela parte que me toca...). Mas fez uma expressão tão tristinha que acabei a consolando. Dançamos muitas músicas até eu perceber que tinha que ir embora para a "Juliana" chegar e deixar a Ro feliz. Ela me segurou, me puxou e me beijou! BEIJOU! Que sonho! Claro que no começo eu me assustei, mas correspondi com todo amor que eu sentia por ela. Quando me soltou, não consegui encara-la então saí correndo dalí. Fui para a sala da recepção do local da festa, onde só a organização tinha acesso. Fiquei lá até me acalmar, me troquei e voltei para a festa, ou melhor, cheguei na festa. Assim que a vi, fiquei vermelha. Roberta estava furiosa comigo, mas quando viu que eu havia cortado o cabelo esqueçeu. Mas quase me deixou surda... Me esquivei do jeito que eu sempre faço, mudando de assunto. É claro que eu havia mudado de penteado. Meu cabelo como Juliana estava solto,no príncipe prendi a parte grande; atrás estava arrepiado, no príncipe tava normal; e a franja estava presa com um presilha que a Ro havia me dado. Tudo transcorreu bem, mas ela não me largou, não sei por que. Depois falou com a minha mãe pra deixar eu dormir na casa dela.
Assim que eu me joguei na cama dela, apaguei. Sempre que eu dormia lá era na cama dela, já que era enorme. Banho? O que é isso?! Só fui saber o que era banho no dia seguinte. O dia foi passando e ela me olhava de um jeito estranho. Foi, como dizem, o enterro dos ossos da festa da Roberta. Tava todo mundo lá, quero dizer, os parentes e a minha família. Depois que eu falei pra tia Nanci que gostava da Roberta, ela e a minha mãe estavam tão próximas. Isso era muito estranho... Já era de noitinha quando a Ro me puxou pro quarto. Fechou a porta e disse.
- Você não tem nada pra me contar não? - Perguntou séria.
- Hã?! - Eu não estava entendendo nada. O que eu tinha pra contar a ela? Ah! Será que ela descobriu?
- Não se faça de boba! Eu já sei que era você! - Arqueei uma sobrancelha. - Por que?! - Seus olhos começaram a encher de lágrimas.
- Não fica assim... Me explica e talvez eu possa te dizer algo. - Eu a abraçei e afaguei sua cabeça.
- Por que você se vestiu de homem e foi o meu... o meu... - A voz saiu abafada e ela começou a soluçar.
- O príncipe? - Ela confirmou com um aceno de cabeça. - Sinto muito, não queria ter estragado sua noite com isso. Convenci sua mãe a me deixar fazer isso, - Eita mentira! - porque eu queria te dizer algo, mas como não me reconhecera acabei desistindo. - Ela tirou a cabeça do meu ombro e me olhou nos olhos.
- O que? - Não estava mais séria. Mas seu olhar era indecifrável.
- Já que cheguei aqui, não posso desconversar. - Fiz uma expressão de dor. Dava pra ver a interrogação em seu rosto. - Eu... eu te amo! Te amo em todos os sentidos! - Confessei olhando em seus olhos, precisava ver sua reação. Foi difícil. Vi espanto.
- ...Sabe, fiquei me perguntando o motivo de você ter se afastado de mim nesses ultimos meses... Então era isso? Você sabe o quanto eu fiquei triste quando começou a se afastar? O quanto eu queria você perto de mim? - Essas palavras começaram a machucar meu coração. Mas ela sentia tanta falta minha, mesmo?
- Desculpe se acabei te tratando de forma diferente. Realmente não era minha intensão. - Ela continuou me olhando como se quisesse falar algo. Eu estava quase perdendo o controle, queria sair dali.
- Não, você não me tratou diferente. Só que não passava mais tanto tempo comigo e eu não gostava disso. Mas eu...
- Olha, não precisa me dar uma resposta. Se não quiser falar nada, tudo bem, vou entender e vou seguir com a minha vida. Não vou dizer que a amizade basta, mas se quizer continuar minha amiga não vou colocar impecilhos para isso. - Ao dizer isso, veirei em direção a porta e dei uns passos, mas fui impedida de continuar. Uma mão me puxou e.....!!!!!!!!!!!

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Não acredito que elas fizeram isso comigo! Como puderam vestir a Juju de garoto e fazer ela ser meu principe? Mas por que eu não fiquei decepcionada? Isso realmente mexia comigo. Eu nem acredito que acabei beijando a Juliana. Beijo.... Que beijo! Ai! Pára com isso, ela é sua amiga! Depois dessa descoberta, não consegui mais dormir. Fiquei na cama olhando a Jú. Ela era tão linda, parecia um anjinho dormindo.Vamos pensar naquilo que eu não gostaria que fosse tudo isso que eu estava sentindo. Eu queria ela só pra mim. Estava tendo um ciúme doentio do Lucas e de qualquer outra pessoa que ela falasse de uma forma diferente. Fiquei irritadíssima quando a vi dando um seleinho no Lucas. E na festa meu humar tava péssimo antes dela chegar, depois não consegui largá-la por nada. Será que eu estava...? E se ela não sentisse nada por mim? Só me restaria sufocar isso e finjir que nada aconteceu. Quando ela acordou, foi direto tomar banho. Sorte que tinha umas roupas dela aqui em casa. Foi outro dia de festa. Estava toda a minha familia e a familia da Jú pra se divertir e comer as sobras de comida da minha festa de aniversário. Não conseguia deixar de olhar a Juju. Era quase de noite quando eu a arrastei para o meu quarto, fechei a porta e perguntei se ela não tinha que me contar algo. Ela fez cara de quem não estava entendendo nada e pediu para eu explicar. Começei, mas ela terminou a minha frase. Disse que foi idéia dela e que convencera minha mãe. Ela queria me dizer algo. O que seria? Perguntei e saiu algo da boca dela que deixara atordoada.
- Já que cheguei aqui, não posso desconversar. - Ela estava enrolando, mas fiz uma expressão de quem peda para continuar. - Eu... eu te amo! Te amo em todos os sentidos! - Confessou. O que? Ela gosta de mim e nunca me disse nada! Eu estava atônita. Perdi o controle.
- ...Sabe, fiquei me perguntando o motivo de você ter se afastado de mim nesses ultimos meses... Então era isso? Você sabe o quanto eu fiquei triste quando começou a se afastar? O quanto eu queria você perto de mim? - Nem acredito que isso saiu de mim! Quando me dei conta do que estava falando, me calei.
- Desculpe se acabei te tratando de forma diferente. Realmente não era minha intensão. - Ela parecia triste.
- Não, você não me tratou diferente. Só que não passava mais tanto tempo comigo e eu não gostava disso. Mas eu... - Eu tinha que falar, mas ela me interronpeu.
- Olha, não precisa me dar uma resposta. Se não quiser falar nada, tudo bem, vou entender e vou seguir com a minha vida. Não vou dizer que a amizade basta, mas se quiser continuar minha amiga não vou colocar impecilhos para isso. - Ela disse isso mesmo ! Eu queria falar dos meus sentimentos mas ela não deixava! Assim que ela se virou tive que puxa-lá. Já que palavras não adiantariam, beijei-a com todo sentimento que havia descoberto ter pela Juliana. Quando nos separamos, sem folego.
- Sua bobona. Eu te amo também. Você ainda não percebeu? - E a abracei. Ela parecia completamente surpresa.
- Mas e essa sua fixação pelo príncipe da festa? - Perguntou meio confusa.
- Isso é só uma figura idealizada. Fazer isso nao faz mal. Até por que o meu príncipe é muito mais bonito e meigo que muito homem por aí. - Tive que confessar. Vi a Juliana ficar vermelha como nunca antes.
- ...Obrigada. - E deu um sorriso sem graça.
- Mas me promete uma coisa? - Pedi meio sem graça.
- Diga. - Agora ela estava mais relaxada.
- Promete que vai deixar seu cabelo grande de novo? Eu adorava o cheiro dele.. - Agora eu estav relamente sem graça. Ela deu uma gargalhada.
- Tudo pelo meu amor. - Disse sorrindo. E selamos a cumplicidade de nossos sentimentos com um beijo.

Fim

2 comentários:

  1. que estória tão bonita! *-*
    gostei muito o/

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  2. Obrigada!
    Acredita que anos depois de escrever esse oneshot acabei namorando uma pessoa cuja mãe se chamava Nanci?!
    Obrigada por ler o/

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