Classificação: 18 anos, por conta do capítulo 3.
Gênero: Yuri, amizade, romance, reencontro.
A
tatuagem
Capítulo 1
Pam queria fazer uma
tatuagem. Na verdade ela ia fazer uma, e até já tinha o desenho. Só que a
garota dele estava sem rosto. Pamela era muito perfeccionista. Ela queria que o
rosto fosse da garota mais bela que conhecia, só que ela não conhecia nenhuma
garota digna de ser tatuada em sua pele. Ainda não tinha seu rosto perfeito
quando foi ao Lorico Tattoo fazê-la. Juliana
deu uma bronca em Pam por ela ainda não ter achado o rosto feminino. Bronca
sim, pois as duas eram amigas de infância, mesmo a segunda sendo mais velha
alguns anos. Pam já estava enrolando com o rosto fazia uns três meses, esse era
o motivo.
- Olha só, Pam, você
tem que achar este rosto logo. Tá me enrolando toda sabia? - Disse Juliana
- Ah... Jujuzinha,
querida, agüenta mais um pouco, só mais um pouquinho... - Insistiu Pamela.
- Não! Vamos fazer um
trato. Você traz a foto de uma mulher bonita que goste até o final do dia, se
não, não faço mais sua tatuagem! - Propôs Juliana.
- Juju, me dá mais
uma semana.... - Disse fazendo biquinho.
- Até o fim do dia,
nem mais um segundo. - Decretou.
- Ahhhh Você é tão
má....
- Eu sei. - Confirmou
sorrindo.
Pam saiu suspirando, ainda fazendo biquinho.
Agora era certo, se ela quisesse a tatuagem, teria que conseguir uma garota até
o fim do dia. Pensando bem, não seria tão difícil, já que a cidade era
turística. E era alta temporada, as ruas estavam cheias e as praias também. O
estúdio que Juliana trabalhava ficava na orla da praia principal e era bem
movimentado. Pamela seguiu para uma praça que tinha ali perto, sentou no banco
e começou a olhar as pessoas passando. Ficou algumas horas sentada ali, mas não
viu ninguém que a chamasse atenção. Então, levantou-se e começou a caminhar
lentamente pela orla. Havia acabado de chover, o céu ainda estava nublado, mas
filetes de luz solar saiam de dentro das nuvens. Como se fosse indicação
divina, uma luz descendo do céu indicou um banco ao longe. Pam seguiu a luz,
chegando perto do banco, viu uma cabeleira loura e um corpo feminino. Ela
estava sozinha no banco enorme.
- Com licença?... - A
garota que estava distraída virou graciosamente para ver quem a chamava. Pam se
assustou, pois ela era realmente bonita. Ficou se perguntando por que não a
vira quando passou por ali.
- Sim...? - A jovem
parecia confusa. Pamela abriu um sorriso de orelha a orelha.
- Olha, eu sei que
isso parece estranho mas... ehrm.. uhm.. posso tirar uma foto sua? Quero dizer,
do seu rosto? - Pam estava envergonhada por pedir uma coisa dessas a uma
estranha.
- Que isso? Uma
cantada? Olha eu não... - A garota não sabia como reagir.
- NÃO! Que isso! É
que eu vou fazer uma tatuagem mas to sem um rosto então eu vi você aqui sentada
e você é tão bonitinha que eu achei que você seria perfeita! - Pam falou tão
rápido que quase não deu para entender. E percebeu que a jovem ficara sem graça
com o elogio espontâneo. - Ah... Desculpa, não me apresentei. Eu me chamo
Pamela, mas pode me chamar de Pam.
- Hm... Pam, como vou
saber se o que está dizendo é verdade? - Quis saber a jovem.
- Eu posso te levar
no estúdio! Ele fica aqui perto, se quiser me acompanhar.... Eu juro que é para
minha tattoo... - Pam começou a fazer cara de desesperada e desolada.
- Um..... Está bem...
- A garota ficara com pena de Pam. Depois de dizer isso, levantou-se. - Leve-me
ao estúdio, assim acreditarei em você.
- Mesmo?! É Lorico
Tattoo e é aqui perto. Vem! - Pamela ficara tão animada que pegou a mão da
estranha e saiu correndo com ela até o estúdio.
- Vai com calma! - A
garota quase não conseguia acompanhar Pam.
- A gente já tá
chegando! - Alguns segundos após dizer isso, Pamela parou. - Chegamos! - Era
uma porta de vidro, com o nome Lorico Tattoo escrito com letras desenhadas.
Ainda segurando a mão da jovem, Pam entrou na loja. - Juju! Achei um rosto! Ele
não é lindo?! - Disse toda animada.
- É sim. E vejo que
conseguiu deixar a garota sem graça. - Disse dando um sorriso. Assim que Pam
percebeu que ainda estava de mãos dadas com a jovem, soltou-a na mesma hora
como num susto. - Não vai me apresentar sua modelo?
- É.... Essa é.... -
Olhou para a jovem e lembrou-se de que ainda não havia perguntado seu nome.
- Lara Partner Montagu.
- Disse Lara timidamente.
- Ohh! Você é parente
do conde de Sandwish? - Perguntou Pam animada.
- ... Sou descendente
dele sim. Como você sabe?
- É que ele deu nome
ao sanduíche. Eu adoro sanduíche!
- Não se engane pela
aparência. A Pam tem uma enciclopédia na cabeça. As vezes até me pergunto se
ela é mesmo humana. - Disse Juliana, e começou a rir.
- Não diga isso! O
que ela vai pensar de mim?!
- Vai achar você
inteligente. - Respondeu Juliana. Lara deu um sorriso tímido. Pam enrubesceu. -
Acho melhor eu começar a desenhar. Posso? - Perguntou Juliana a Lara.
-
P...Pode. - Respondeu Lara, ainda tímida. Juliana demorou vinte minutos para
terminar o desenho. E pediu mais alguns para passar para o transfer. Nesse meio
tempo, o estúdio ficara vazio e as portas foram fechadas, indicando que o
expediente havia terminado.
-
Pam, vamos lá. Vamos logo fazer esta esperada tattoo. - Anunciou dando um
sorriso.
-
Sim! Vou tirar a blusa pra ficar mais fácil. - Disse Pam, que não percebeu que
sua convidada ficara um tanto envergonhada com a notícia.
-
Com quiser. - Juliana transferiu o desenho para o corpo de Pam. Era na lateral
esquerda do corpo. A imagem tinha vinte centímetros de altura e a parte mais
comprida tinha quinze. Este era de uma mulher nua sentada numa flor, em um pose
muito sexy, segurando a terra, escondendo os seios com os braços e o ventre com
a perna, com as letras "L" e "P" tatuadas no braço direito.
-
Hm... Posso fazer uma pergunta Pam? - Perguntou Lara der repente.
-
Claro! Diga. Ai... Essa doeu, Jú. - Disse Pam, fazendo careta.
-
Eu te avisei que este lugar era sensível e que ia doer. - Respondeu Juliana,
concentrada em seu trabalho. Pam fez uma expressão de "tô sabendo" e
voltou sua atenção para Lara.
-
Por que uma mulher, e não um homem? - Perguntou Lara.
-
Por que mulheres são bonitas de se ver. A forma de seu corpo é suave e isso é
agradável aos olhos. - Respondeu Pam.
-
Desculpe, mas é que fica parecendo que você está dizendo para todo mundo que é
lésbica, sabe? - Continuou Lara
-
Huahuah é mesmo. Mas é que eu simplesmente sou apaixonada por este desenho e
sempre quis tatuá-lo. Este também é um dos motivos.
-
Entendo...
-
E além do mais, gostar de mulher não é prático. E eu gosto de coisas práticas.
-
Como assim não é prático?
-
E lá vem a Pam com sua filosofia maluca... - Comentou Juliana.
-
Ah, cala a boca! - Juliana soltou uma risada. - Olha, se você é mulher e gosta
de homem e aparece com um namorado em casa, todo mundo fica satisfeito. Sua
mãe, seu pai, seus parentes, ficam até 'enchendo o saco' querendo saber quando
sai o casamento, quando vem os filhos e por aí a fora. Agora, se você é mulher
e gosta de mulher, a coisa complica. Porque você não pode simplesmente aparecer
em casa e dizer "Mãe, pai, esta é minha namorada. É, eu sou gay!".
Nem se a sua família for das mais liberais, sempre vai ter algum impedimento no
começo. As conseqüências podem ser insuportáveis. Não é nada prático. Talvez se
você fosse uma pessoa famosa, tipo uma cantora, e anunciar pra todo mundo que é
de orientação homossexual eles aceitem. Sabe, vão dizer que é pra atrair mais
fans, pra fazer imagem ou coisa do tipo. Fora isso, acho que não rola.
-
Interessante essa sua teoria. - Falou Lara sorrindo. E elas continuaram a
conversar até Juliana terminar de tatuar. Tinha ficado ótima e todos
concordaram com este fato. Já estava escuro, então Pamela resolveu levar sua
modelo em casa.
-
Onde você está hospedada? - Perguntou Pam quando saíram do estúdio.
-
Como você sabe que não sou daqui?! - Surpreendeu-se Lara.
-
Cidade pequena. Conheço quase todo mundo, os que não, já vi por aí. - Respondeu
Pamela piscando um olho.
-
Ah tá. Night Palace Hotel.
-
É por aqui. Não vamos demorar. - Disse Pam sorrindo, mas estava pensando
"Night Palace Hotel?! Ela deve ser muito rica, a diária de solteiro custa
quinhentas pratas!!!" - Você e sua família vão ficar por quanto tempo?
-
Já estamos aqui a duas semanas. Partiremos daqui a dois dias. - Respondeu Lara.
Pam ficou imaginando como seria ficar num hotel de luxo por duas semanas e
espantada pelo longo período de tempo.
-
Aqui estamos. O seu hotel.
-
Ah muito obrigada. - Lara agora estava toda sorridente.
-
Eu que agradeço. Ah! hm... Você gostaria de sair amanhã para fazer alguma
coisa, como agradecimento? - Perguntou Pam meio sem jeito.
-
Claro! Seria um prazer. - Ao responder, Lara entrou no hotel. - Boa noite.
-
Boa noite! - Pam estava se sentindo satisfeita. - Te encontro as seis aqui! -
Gritou.
-
Tá! - Pam escutou a voz de Lara vindo abafada de dentro do saguão do hotel.
As seis, Lá estava Pamela na portaria. Lara
não demorou a aparecer, mas estava acompanhada de um homem, que estava muito
bem vestido e elegante.
-
Pam, este é o meu pai. John. Contei a ele sobre a tattoo.
-
M..Muito prazer! Sou Pamela. Hm... Desculpe se causei algum transtorno.
-
O prazer é meu. Não é transtorno algum. Fico feliz que a minha filha tenha
feito amizade na cidade. - Pam deu um sorriso desconcertado. - Bom, tenho que
ir. Algumas coisas para resolver. Bom divertimento. - E John se retirou.
-
Obrigada. - Responderam as duas em coro.
-
Vamos? - Perguntou Pam.
-
Sim!
As duas caminharam pela orla da praia. Pam
mostrou a Lara alguns prédios históricos e lhe contou histórias que não se
contam em uma excursão com um guia falando freneticamente. Foram a uma
lanchonete e comeram sanduíches enormes. Depois passaram no karaokê e cantaram
um pouco. Pam ficou impressionada com a voz de Lara. Pam disse que amou a voz e
que, se ela cantasse no estilo que Pam gosta, seria sua fan. Lara ficara
vermelha com tantos elogios. Por fim, voltaram a orla, sentaram num banco em
frente ao hotel e ficaram a conversar até dar a hora de Lara subir. Elas
marcaram de sair no dia seguinte. Mais uma vez Pam foi ao hotel buscar Lara,
mas esta já estava a sua espera no saguão. Dessa vez, foram ao cinema e viram
uma comédia romântica sobre um cara que se apaixonou por uma mulher gorda sem
saber que era gorda, porque estava sob uma hipnose que o fazia ver o interior
das pessoas e não o exterior. Voltaram
para a orla e caminharam para o lado oposto do andado no dia anterior. Lara viu
um lugar ao longe e perguntou o que era. Pam disse que era o canto da praia e
que era bem movimentado de dia, mas que a noite era perigoso ir lá sozinha por
ser deserto.
-
Eu quero ir lá! - Choramingou Lara.
-
Então reza para não sermos assaltadas. - Disse Pam.
-
Eba! Pode deixar! - Falou Lara animando-se de novo. Elas foram até lá. Estava
escuro, mas dava para ver que tinha uma construção acima do nível da areia com
uns bancos de concreto, onde foram se sentar. Pam subiu as escadas primeiro e
quase tropeçou em uma pedra solta. Sentou-se no banco para ajudar Lara, que já
começava a subir o pequeno número de degraus.
-
Lara, cuidado com a pedra solta. - Advertiu Pamela.
-
Onde? - Mas Lara não viu e acabou tropeçando na pedra.
-
Peguei você! - Disse Pam segurando Lara da queda, mas esta fora mudada de
curso. Ao invés de cair no chão, Lara caiu em cima de Pam, que caiu, ficando
deitada no banco. Seus lábios se tocaram por um instante. Mas Lara, sentindo-se
segura pela escuridão, beijou Pam. Elas se beijaram até perder o fôlego.
-
Desculpe. - Pediu Lara.
-
Tudo bem, foi um acidente. - Respondeu Pam. Lara saiu de cima e se sentou ao
lado de Pam.
-
Olha só que céu lindo! não é todo dia que se pode ver um céu tão estrelado.
-
É verdade. - Concordou Pam se ajeitando. Elas ficaram ali por um tempo e depois
voltaram. Depois que se despediram para Lara subir para seu quarto.
-
Vamos poder sair amanhã a tarde? - Perguntou Lara.
-
Sinto muito, mas trabalho o dia todo amanhã. Meu chefe está meio bravo por eu
ter tirado dois dias seguidos de folga.
-
Entendo. - Lara ficou meio triste com a notícia, mas não deixou transparecer.
Elas se despediram de novo e Lara subiu. Pam voltou para casa pensando algumas
coisas e refazendo algumas opiniões. Nenhuma das duas jamais esqueceu o que
acontecera na parte escura da praia, no beijo que aconteceu. Melhor, no beijo
que Lara deu e que Pam recebeu sem protestar.
No dia seguinte, no fim do expediente, Pam
foi visitar Juju, sua amiga de infância. E contou o que acontecera no dia
anterior.
-
Droga, Jú! Porque eu aceitei aquele beijo?! - Disse Pam quase chorando.
-
Ora, Pam, não seja mesquinha! você sabe porque. - Respondeu Juliana, num tom
apreensivo.
-
Droga, Jú! Por que eu fui me apaixonar por ela?! Logo eu que sempre procuro as
coisas práticas! - Pam começou a chorar.
-
Quem sabe? Olha, ela até já deve ter ido embora da cidade. Provavelmente nunca
mais voltará, sabe como são os turistas.
-
É verdade. Mas se ela fosse daqui, você ia me ajudar, ia ficar do meu lado?
-
Mas é claro! Sou sua amiga, claro que você terá o meu apoio em qualquer coisa
que faça. - Disse Juliana abraçando Pam.
-
Obrigada.
-
Sugiro que você se concentre nos estudos por agora, já que está entrando no
ensino médio.
-
Certo! - Pam se animou um pouco. - Preciso ir, se não a patroa me mata!
-
Boa sorte! - Juliana começou a rir. Assim que Pam saiu da loja, uma figura
apareceu. - Lara! Você ainda não foi? Me disseram que ia hoje. A Pam acabou de
sair daqui.
-
Eu vi. Estava esperando ela sair. Pedi a meu pai que adiasse um dia a partida.
-
Entendo...
-
Posso perguntar uma coisa? - Disse Lara com feição séria.
-
Pergunte.
-
Você é a namorada da Pam?
-
Uahuah! Não, não sou não. Aliás, sou casada. Com aquele cara alí, o Rox. -
Apontou um homem com aparência jovem, mas todo tatuado.
-
Ah.. que bom... - Lara pareceu aliviada.
-
Posso te ajudar em algo mais?
-
Quero fazer uma tatuagem!
Capítulo 1- Fim.
Acho que é a primeira fanfic que leio sem ser de AKB e ameiii *-* omg eu amo as tuas fanfics! A maneira como descreves cada momento, como contas a historia!
ResponderExcluirP-E-R-F-E-I-T-O!!!!!
By: Takaatsu ;)
Ah muito obrigada!!! :D assim você até me anima a tirar a poeira de vários contos inacabados^^
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