segunda-feira, 20 de maio de 2013

[Original - Em Capítulos] Como fazer um filme sobre amor verdadeiro | Capítulo 15



Como fazer um filme sobre amor verdadeiro

5-Quando as gravações começarem, coloque as mais novas melhores amigas no mesmo camarim.

O dia estava ensolarado, perfeito para iniciar as filmagens de um filme meigo. Talvez meigo não fosse a palavra mais adequada para se referir a ele, já que estava mais para desafiador. Não no sentido de desafiar a sociedade, tentando mostrar que o tema homossexualidade não precisa ser tabu assim como sexo antes do casamento é para os conservadores, mas um desafio para seus atores. Na verdade, apenas duas desse grupo seleto. Neste primeiro dia, eles iam gravar a cena em que as protagonistas se conhecem na banheira coletiva do hotel.

Deixe-me contar algo mais sobre o filme. A franquia grega de hotéis Gaia era famosa pelo luxo e a hospitalidade com que tratava seus hóspedes, mas havia um item em sua estrutura física que o diferenciava dos hotéis comuns, uma banheira coletiva inspirada nas casas de banho da Grécia antiga. Para evitar problemas, eles separaram o masculino do feminino. Essa “piscina térmica”, como alguns costumavam chamar, tinha horário de funcionamento, de nove da manhã às oito da noite. A estória do filme se passa no hotel-sede na Grécia. Tudo começa quando Kátia, a herdeira do empreendimento e gerente do hotel em Atenas, resolve tomar um banho relaxante após o expediente. Por ser praticamente dona do hotel, ela podia usufruir de tudo que o hotel oferecia fora do horário, mas a única coisa que ela gostava de fazer com esse ‘abuso de poder’ era usar o banho coletivo depois do horário. Por que ela só usava o banho coletivo sozinha? Bem, isso é muito simples, ela era lésbica. Não que as lésbicas saem por aí dando em cima de todas as mulheres que veem pela frente, nem que vão para banho coletivos ficar ‘espiando’ outras mulheres, mesmo Kátia sendo uma pessoa discretíssima sempre acabava aparecendo uma distração. Outro motivo era que ela gostava de silêncio para pensar nos negócios e no horário usual o banho parecia uma feira de tão barulhento. Sem contar que ela não queria se apaixonar por nenhuma cliente, isso seria péssimo para os negócios. Eram dez da noite, Kátia relaxava na água morna quando escutou uma voz encantada com a grandiosidade do local. Ao ver a moça, Kátia fica sem jeito de repreendê-la, pois ficara estarrecida com sua beleza. Minutos depois a moça se identificou como Sofie Rachid.

Incrivelmente, Audrey e Janeth chegaram ao mesmo tempo no estúdio, apesar de terem se visto, se ignoraram. Luci estava dando algumas explicações sobre como queria a iluminação do cenário quando viu a dupla chegar. Dirigiu-se até elas e as abraçou ao mesmo tempo. Nesse momento, as laterais de seus corpos e chocaram, causando-lhes arrepios.
- Que bom que as senhoritas chegaram! Nossa primeira cena será a da banheira. – Assim que Luci as informou sobre a cena, uma gota imaginária de suor escorreu da testa de Janeth. Já Audrey sentiu aquele “ser não identificado” brincando com seu estômago novamente. – Vou guiá-las aos seus camarins. – Colocou uma em cada braço e as levou sem dar chance para um comentário, continuou. – Bom, para que saia tudo dentro da qualidade por mim exigida, coloquei as duas no mesmo camarim.
- Quê?! – Exclamaram em uníssono. Seus olhos pareciam sair das órbitas. Ainda tentavam digerir a nova informação, quando viram na porta a sua frente “Senhorita Lews e Senhorita Dean”.
- Por que o nome dela está na frente? – Perguntou Audrey num tom autoritário. O que não intimidou Luci.
- “Porque o nome do homem vem na frente, oras.” – Era o que ele queria dizer, mas apenas riu de seu pensamento. – Por questão de estética. A ordem do nome não importa, o que importa é que as duas se deem bem. – Ao dizer isso, as deixou a sós.
- Fique sabendo que não quero me trocar na sua frente. – Anunciou Janeth.
- Eu que tenho que dizer isso! Vai que você me olha com segundas intenções. – Respondeu abrindo a porta. Ficou espantada com a bela decoração da sala.
- O que eu ia querer com uma branquela como você? – Disse antes de olhar para dentro do camarim. Mas depois que olhou, sua expressão irônica mudou para uma serena. – Que lindo!
Além da bancada, tinha um espelho que preenchia todo espaço da parede. Um sofá verde com detalhes em prata, a parede oposta a da porta pintada com um verde mais claro, contrastando com o tom do sofá, uma mesa de centro com um arranjo colorido de rosas, na parede oposta do espelho, uma cópia autenticada de um quadro de Van Gogh. Um armário rústico completava o ambiente meio bucólico. Passado o baque da diferente decoração, voltaram ao normal.
- Vou para o banheiro. Você se arruma aqui. – Disse Audrey.
- Por mim tudo bem. – Assim, a outra seguiu para o banheiro. Janeth fechou a porta atrás de si e foi trocar-se. Foi para a maquiagem e depois para o set. Para a cena, teria que deixar os seios à mostra, mas ela não se importava. Este era um dos desafios de se ser atriz, em alguns papéis teria que enfrentar cenas de nudez. Com uma toalha em volta da cintura, para evitar transtornos futuros usava um biquíni cor da pele por baixo, entrou na água morna, o que a relaxou. Todos ali eram muito profissionais, mas quando a viram relaxada na banheira de olhos fechados, alguns a olharam com olhos curiosos. Luci explicou como queria a cena para Janeth e deu as coordenadas para os câmeras. Janeth ouviu Luci falar com Audrey, mas não se mexeu, não queria olhar para ela. Sabia que teria que encará-la quando começassem a gravar, e isso não demorou a acontecer. Luci gritou: “gravando!”.
- O dia hoje foi cansativo... Ainda bem que o Tales atendeu aquele casal para mim hoje... – Disse num tom baixo e cansado. Estava sentada num degrau da banheira e a água batia na altura dos seios. – Que água gostosa!
- Ah! Que lindo! – Exclamou uma voz maravilhada atrás de “Kátia”. “Nossa ela é boa!” pensou Janeth. “Kátia” se espantou ao ouvir uma voz àquela hora da noite.
- É, sim. Mas o que a senhorita faz aq... – Disse virando-se, mas não conseguiu terminar a frase, estava extasiada com a cena. Audrey estava enrolada numa toalha, que mais parecia toalha de rosto, com noventa e oito por cento da extensão de suas belas pernas a mostra. – Aqui a... essa hora? – Lutou para tirar sua expressão embasbacada do rosto.
- Queria tanto vir aqui. Eu estava certa, aqui é maravilhoso! – Respondeu indo em direção a banheira e finalmente olhando para Janeth. Seu corpo ficou vermelho com o choque de ver Janeth só de toalha. “Ela é linda até sem roupa!” pensou e desceu os olhos para os seios. “Os seios mais bonitos que eu já vi... Ai! Que estou pensando!”. Mas Audrey esqueceu-se da cena.
- O que foi, Audrey? Tem alguma coisa errada com meus seios? – Janeth perguntou ironicamente. “Puta que pariu! Ela é muito boa mesmo!” pensou.
- Hahaha! Nada, apenas esqueci minha fala. Podemos repetir?
- Tudo bem! Vamos lá, pessoal, de novo! – Anunciou Luci.

Na segunda tentativa tudo ocorreu bem.

Cap 15- Fim    

Um comentário:

  1. A Janeth ficou encantada com a Audrey ^^
    Ahahahahahahahahah morri! A Audrey esqueceu-se da fala ao ver os seios da Janeth? xD
    Finalmente começaram a filmar ^^
    Obg pelo cap :)

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