A quermesse
Capítulo 5
- Gentem, pizza na minha casa hoje! - Anunciou Alex toda animada. Estavam indo para o shopping, já que era dia de horário vago.
- Você tá louca amiga? A gente tá em semana de prova, temos que estudar. - Relembrou Monica, apesar de saber que Alex era assim mesmo, totalmente espontânea, sem se importar com o que pode acontecer.
- Ah relaxa, então vamos todos lá pra casa estudar e depois comemos a pizza. Não é a primeira vez que fazemos isso. - Insistiu Alex, fazendo carinha de cachorrinho pidão.
- Tá bom. - Monica desistiu, mas nem tinha tentado resistir.
- Obaaaaaaaaa!
- E quem resiste a essa sua carinha, Lêlê. - Disse Rafael tirando sarro da amiga
- Quem vai fazer a pizza, porque se for você eu dispenso. - Brincou Jonas.
- Ahaha, engraçadinho. - E Alex deu a língua.
- Calma, Alex, mostrar língua é uma coisa muito feia. - Disse Jéssica puxando a morena pela bandana presa na parte de trás do macacão e a agarrando pela cintura. Não sabia por que, mas a loura adorava agarrar a morena, era como se seu corpo inconscientemente pedisse por este contato.
- Ei, é só a Alex que ganha carinho? - Protestou Marcos.
- Quem disse que eu to fazendo carinho? Eu tô é segurando ela pra não bater no Jonas. - Marcos não teve argumentos e todos riram. Alex já estava acostumada e queria ser agarrada mais e mais por Jéssica. Era a única forma que via de ter contato físico com a outra. Mas seu coração nunca deixou de acelerar com o contato. Sem contar que a outra sempre demorava um pouco para largá-la. - Não fique triste, pode deixar que eu como se você cozinhar. Adoro sua comida. - Sussurrou ao pé do ouvido de Alex, que imediatamente ficou vermelha.
- Ih, olha o segredinho, quero saber também. - Brincou Jonas.
- Cala a boca, Jonas! - Disseram as duas em uníssono. Logo depois elas se soltaram e mudaram de assunto até chegarem ao shopping. Lá cada um foi fazer o que era de costume, Marcos foi olhar pelo vidro a procura de uma nova "vítima"; Rafael e Monica foram conversar sobre alguma coisa num canto da sala; Jonas como sempre sumia e ninguém sabia pra onde ele ia; e Jéssica e Alex numa das grandes poltronas. Depois de muito papo:
- Aiai, to com sono. - Falou Jéssica dando um bocejo.
- Deita e tira um cochilo. Sempre durmo nessa poltrona quando estou aqui sozinha.
- Mas você não vai ficar meio sozinha? Aqueles dois quando começam, não param. - Comentou apontando para Monica e Rafael no canto da sala.
- Tudo bem, tenho que checar umas coisas aqui no shopping mesmo.
- Certo. Boa noite.
- Boa noite. - Jéssica virou para o lado e a ultima coisa que viu a bandana pendurada na parte de trás do macacão de Alex, que se dirigia a sua mesa.
No sono, Jéssica se lembrou de algo ha muito esquecido. Algo de quando ainda morava em seu país natal, quando começara a pertencer oficialmente à irmandade de sua cidade. Estudava no melhor colégio da cidade, e como todo colégio, tinha o costume de agrupar os alunos por colocações de acordo com suas pontuações. Jéssica era muito feliz com sua colocação, ela era a segunda colocada no ranking geral da escola. Ela nunca foi de se perguntar quem era a única pessoa que era mais inteligente que ela, nunca quis conhecê-la. Só que um dia, uma de suas amigas criticou a tal pessoa, Dizendo que essa pessoa deveria ser um fantasma, porque ela nunca tinha visto nenhuma pessoa que se chamasse Alex Storms na escola. Foi então que ela começou a se perguntar quem seria essa pessoa. A princípio achou que era um garoto, mas se deu conta de que chamava uma amiga pelo apelido carinhoso de Alex. Foi então que resolveu comentar com a mãe e a resposta que teve foi meio chocante para ela na época. Era a filha mais velha dos Storms e ela sofria de uma doença muito grave e que não podia frequentar a escola como todos os alunos normais, mas ainda assim ela estudava lá e fazia todas as provas. Foi então que a jovem Jéssica se lembrou de uma pessoa com o uniforme da escola, mas que sempre estava com um chapéu, uma boina, um gorro, uma... bandana! E ninguém nunca reparara nela, parecia algo insignificante. Era uma cena meio deprimente, entrando sempre depois de todos, numa cadeira de rodas empurrada por uma enfermeira, mas incrivelmente o rosto da pessoa era alegre. Estranhamente o cenário muda e Jéssica se vê naquela quermesse inesquecível. De longe vê uma pessoa sorridente de macacão e bandana na cabeça, acompanhada de um garoto. Eles entram na fila da barraca do beijo, um tempo depois o garoto some e chega a vez da pessoa que acompanhava o garoto. Ela não conseguia ver o rosto muito bem, mas mesmo beijou a pessoa. Um beijo perfeitamente maravilhoso. Quando se separam a pessoa dá um belo sorriso, Jéssica sente seu coração acelerar, a pessoa tira a bandana e de lá saem longos cabelos negros e de repente não tem mais ninguém a pessoa a beija de novo e ela corresponde com toda vontade e fica tudo escuro e... - hmm que gostoso, é o cheiro da Alex... - Acorda murmurando. Senta na poltrona coçando o olho.
- Bom dia, dorminhoca. Só falta você. - Diz Alex carinhosamente.
- Hmm como assim? - Mas antes de receber a resposta olhou em volta e percebeu que só tinha as duas na sala. - Por que não me chamou?! - Perguntou já despertando por completo.
- Você estava dormindo tão gostoso que eu deixei. Vamos, eu te acompanho até em casa, já perdemos as últimas aulas mesmo.
- Não precisa, é melhor eu pega um táxi.
- Tá bom, então. 3:30 lá em casa, beleza?
- Estarei lá. - E assim cada uma seguiu seu caminho, mas é claro sem antes dar aquele longo abraço. Jéssica foi pra casa pensando em seu sonho. Depois de muito analisar todos os fatos e ângulos, chegou a uma conclusão, algo que a deixou surpresa e angustiada.
Alex arrumava o quarto. Não que ele estivesse uma bagunça, mas tinha algumas coisas fora do lugar e ela queria tudo organizado. Ainda faltava meia hora para o pessoal chegar, mas gostava de fazer as coisas com antecedência. Precisava trocar de roupas, já que do jeito que estava só quem a via era sua família. Enquanto pensava nessas coisas, bateram a porta.
- Mãe, já disse que não preci... - Foi dizendo enquanto abria, mas deu de cara com uma pessoa inesperada. - Jéssica...?!
- O..Oi.. - Jéssica foi olhando a morena de baixo para cima, babando em cada detalhe do corpo da outra. Pernas bem torneadas num shortinho de ginástica, uma barriga sarada a mostra, um top de ginástica delineando o contorno dos seios, nada que lembrasse as roupas meio masculinizadas que costuma usar, e prendendo os longos cabelos... bandana!! Foi então que ela viu o que estava começando a desconfiar. O rosto era o mesmo, só estava um pouco mais adulto, mas era o mesmo. Ela sentiu seu sangue correr mais rápido e o coração acelerar. Estava rubra. - Era... você... - Só então a outra percebeu como estava e também ficou vermelha.
- Erm.. Entra. - Estendeu a mão à loura que a pegou mecanicamente, e a puxou para dentro do quarto fechando a porta. Sentou-a na cama viu algumas lágrimas escorrerem pelo rosto de Jéssica. Alex não sabia de que eram as lágrimas.
Capítulo 5 - Fim
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