sexta-feira, 3 de maio de 2013

[Oneshot - Original] O segredo da estufa

Sei que minha opinião não conta, mas essa é uma das minhas preferidas huahuahauh! Lembro-me que demorei algumas noites para terminá-la escrevendo em um caderno. Que diga-se de passagem, ainda possuo. Aliás, possuo muitas coisas em cadernos, principalmente inacabadas por causa da preguiça de digitar depois.
Classificação: 12 anos.
Gênero: Yuri, amizade, reencontro, romance.



O segredo da estufa

    Era dia festivo naquela escola. A música soava alto, mas daquele lado do terreno era quase impossível ouvi-la. Principalmente quando se estava em uma estufa, aparentemente, abandonada. As ervas daninhas cresciam aos montes em todos os vasos. As roseiras desenvolviam-se de forma desengonçada e graciosa. Rosas eram a especialidade daquela estufa. Havia espécimes de cores variadas e com suas peculiaridades notáveis. Apesar daquele ambiente sempre ser agradável e tranquilo, mesmo estando desleixado, naquele momento uma atmosfera tensa e desagradavel formava-se. Um fatídico encontro acontecera. Dois pares de olhos se fitavam com uma intensidade esmagadora e silenciosamente trocavam insultos.
 - Ora, ora. Não pensei que fosse aparecer por aqui a esta hora, senhorita presidente. - Disse num tom irônico, quebrando o silêncio, a garota alta, que estava em uma extremidade da prateleira de rosas vermelhas desabrochadas, a outra um pouco mais baixa, na outra extremidade da mesma prateleira.
 - Digo o mesmo, senhorita "princesa dos esportes". - Retrucou com o memso tom irônico.
 - Pensei termos prometido nunca mais nos vermos aqui. E não me chame assim. Tu sabes o quanto odeio este apelido. - Falou duramente.
- Sei muito bem o que prometemos, M... senhorita Frederickson, mas precisava vir aqui no dia da minha formatura. - Explicou com igual to duro.
 - Nossa! Por que depois de dois anos continua tão egoísta, senhorita Pearl Gleese? - Perguntou alternado-se pela primeira vez.
 - Por que você me deixou assim! Oh, por favor, vamos para com esta formalidade, isto está me enervando! Sim, Marie? - Disse com a voz também alterada.
 - Tudo bem, Pearl. Precisamos esclarecer algumas coisas antes de nunca mais nos vermos. - Falou Marie decidida. Pearl concordou com um movimento de cabeça.


     Pearl e Marie se conheceram em meados da quinta série. Tornaram-se boas amigas. Mas o tempo fez o favor de plantar no coração das duas um sentimento diferente e puro, como uma rosa branca em meio as vermelhas. Elas conseguiriam esconder isso uma da outra se não fosse o único gosto em comum que possuiam, o amor por flores. No primeiro ano do ensino médio, elas se voluntariaram para cuidar da estufa da escola. Em duas semanas já estavam sicronizadas com as flores. Em algum dia da terceira semana, Pearl conversava animadamente com as rosas. Marie fora buscar água para regá-las do lado de fora da estufa.
 - Sabe, rosas, já que a Marie não está, vou lhes contar um segredo. - Pearl deu uma pausa, olhou para os lados e efim continuou. - Sei que não devia sentir este tipo de coisa, mas, rosas, eu amo a ;marie do fundo do meu coraç~... - Antes que pudesse terminar o que dizia, Pearl ouviu um baque surdo de algo pesado e cheio de alguma coisa cair no chão. - Marie! Por um acaso você...?
 - É verdade? É verdade o que acabou de dizer? - Marie parecia perplexa. Parecia não, estava. Não conseguia acreditar no que sem querer, acabara de ouvir.
 - É sim... - Respondeu fechando os olhos completamente vermelha. Estava a ponto de chorar. Pearl não viu Marie se aproximar, mas sentiu o toque delicado de sua amiga em seu rosto e o perfume floral o qual era secretamente apaixonada. Também não viu o rosto de Marie se aproximar do seu e fita-la de perto, mas o perfume ficara mais forte. Pearl recebeu, espamtada, um beijo apaixonado daquela amiga que amava secretamente.
- Que bom! Pensei que fosse só da minha parte. Já estava adoecendo por conta disso. - Ao dizer isso, Marie abraçou fortemente a amada. Este passou a ser o segredo das duas e daquela estufa.


- Te entreguei tudo de mim. Desde aquele dia, eu deixei de viver por mim e passei a viver por você. - disse Marie em tom seco, dando alguns passos para frente, acariciando as rosas com as pontas dos dedos. - Tudo que eu fazia era pensando em você.
- Haha! Desde muito antes daquele dia decidi dedicar a minha vida a você. - Retrucou Pearl. - Por que será que nunca dissemos isso uma a outra? - Continuou dando também alguns passos para frente.
- Boa pergunta. Quem sabe não é por que não havia necessidade? - Sugeriu Marie.
- Pode ser. - Concordou Pearl. - Mas acho que a nossa primeira vez foi a prova concreta disso.
- Nossa primeira vez...


   Numa tarde ensolarada de um feriado, onde só os clubes se reunem na escola, lá estavam as duas secretas amantes na estufa cuidando das rosas para o festival. Pearl podava as rosas com o maior cuidado, enquanto Marie busacava terra abudada para encher os vazinhos com mudas. Silenciosamente, Pearl pára o trabalho e começa a observar Pearl. Esta estava concentrada demais para perceber algo e parecia feliz e satisfeita com o serviço. Marie começoua pensar no quanto amava a garota que observava e, derrepente, lhe veio a mente um desejo que de vez enquando a visitava. Ela queria loucamente algo mais do que beijos e amassos. Sua imaginação começara a funcionar. Macanicamente, lavou as mão sujas de terra, ela sempre fazia isso, não importando a situação. Sem dizer uma palavra, andou até Pearl e a abraçou, dando-lhe um beijo na bochecha. Pearl achou muito meigo o gesto da amada e virou-se para beijar-lhe a boca. Marie não só o aceitou, como a abraçou novamente e começou a subir uma das mãos por dentro da blusa do uniforme de verão de Pearl, pressionando-a contra mesa. Pearl, que também manifestava o mesmo desejo, não protestou. A grande questão era como elas concretizariam aquele desejo ali, pois alguém poderia ver. Sem perderem a empolgação, tiveram uma idéia. A mesa era grande e a toalha usada nela ia até o chão. Elas arrumaram seu 'ninho de amor' embaixo da mesa. Sempre que podiam se divertiam naquele lugar secreto, e ninguém nunca desconfiou.


- Aquela foi uma boa idéia. - Comentou Pearl, olhando para a mesa, que ainda estava com a toalha de dois anos atrás. Deu mais algun passos à frente.
- Foi mesmo. E parece que ninguém descobriu, pois ainda está intacta. - Comentou Marie também andando para frente.
- A gente estava indo tão bem, por que aquilo teve que acontecer? - Lamentou Pearl parecendo estar realmente sentida.
- É, boa pergunta. Por que fez aquilo? - A estufa pareceu tremer com a volta da atmosfera pesada.
- Quantas vezes vou ter que dizer que eu não fiz nada?! - Pearl parecia irritada. - A culpa foi dele!


   O ano letivo stava acabando e Pearl estava com problemas. Marie não sabia, mas sua amada estava sendo perseguida por um rapaz. Enquanto ela se distraia com outros afazeres, o jovem importunava Pearl com propostas de namoro, que sempre recusava. Quanto mais ela negava, mais o rapaz insistia. De fato, negá-lo era um ate estranho, já que ele era considerado o cara mais lindo da escola. As outras amigas de Pearl não entendiam e quando perguntavam o porquê, ela dizia que era segredo. Marie chegou a escutar boatos, mas como todod diziam que sua amada o negara, ela não se importou. 
   Numa tarde de fim e ano, Marie prometera ajudar o time de handball com o treino. Então Pearl fora para estufa sozinha. Estava cantarolando, quando alguém a agarrou por tras.
- Quantos vezes eu vou ter que dizer pra você não fazer isso, Mar... Matt?!! - Pearl estava assustada e confusa.
- O que foi? Não gostou? Sua amiga sempre faz isso. - Falou o rapaz num tom irônico. - Não se faça de desentendida, eu sei muito bem por quê você não quer namorar comigo. 
- Então sabe que eu nunca ficaria com alguém como você. E me solta! - Respondeu, se debatendo.
- Exatamente. Quem sabe se eu fosse uma garota? - disse em tom de escárnio, encurralando Pearl na mesa. - Você devia saber qual o gosto de um homem. - Ao dizer isso, beijou Pearl a força, que se debateu ainda mais.
- Pearl!? - Disse uma terceira voz, alheia aos acontecimentos anteriores.
- Marie! - Gritou, finalmente se livrando de Matt
- Aí está você, garota dos esportes. Hehe. - Comentou Matt, maliciosamente.
- O que vocês...? - Tentou perguntar Marie, mas foi interrompida.
- Estava dando uns pegas na sua "namoradinha", nos divertindo, entende? - Disse Matt com olhos maldosos. - Vou indo, tenho treino agora. - E saiu sem que pudesse dar alguma explicação mais convincente. Os olhos de Pearl estavam cheios de lágrimas por rolar.  
- Como pôde, Pearl? - Perguntou ;marie com uma feição triste e ao mesmo tempo raivosa.
- Eu não fiz nada! Ele me agarrou. - Pearl desabou a chorar.
- Isso, você não fez nada. Nada para impedir ou separar! - Gritou Marie.
- Eu tentei! Mas ele era forte demais. - Pearl devolveu o grito.
- Mentira!
- Não!
- Pára de mentir! Você estava beijando ele! E no nosso lugar secreto!
- É a verdade. Se você não acredita em mim, não posso fazer nada. - Disse Pearl baixinho, muito magoada.
- Você estava agarrando ele! - Continuou Marie a gritar.
- ELE me agarrou! - Corrigiu Pearl.
- Já chega! Não quero mais saber. Eu não quero mais saber de você!
- É assim?! Então tá! Não quero mais saber de você também, se possível, não quero nunca mais te ver. Pelo menos não por aqui!
- Ótima idéia! Não vamos nunca mais nos ver por aqui! - Gritou Marie, e saiu em seguida.
    Depois desse dia, nenhuma das duas voltou a estufa. Ninguém quis assumir a estufa, pois esta foi dado como lugar amaldiçoado, onde amizade se transforma em ódio e rivalidade. Marie entrou para o clube de esportes, onde trouxe para o colégio inúmeros títulos, em várias modalidades. Pearl foi representante de classe e no último ano, fora eleita presidente do conselho estudantil, com mais da metade dos votos. Claro que eleas se viam no pátio, mas não disperdiçavam palavras para falar uma com a outra. Só se falavam quando era extremamente necessário. E foi assim até o dia da formatura.


- A culpa foi mesmo dele. - Disse Pearl calmamente. - Mas ele teve o que mereceu quando eu o venci nas eleições. - Acrescentou, cerrando os punhos.
- Mas eu vi vocês dois... - Marie não terminou a frase, pois teve uma vertigem.
- Marie. - Disse Pearl dando dois passos a frente, ficando cara a cara com Marie. - Quando será que você irá acreditar em mim? - Perguntou acariciandoo rosto da outra com os dedos.
- Eu não sei. - Disse Marie, mantendo o rosto inexpressivo, ou pelo menos tentando.
- Se você quiser que eu diga que o beijei, eu digo. Mas isso não vai mudar nossa situação atual. E não vai mudar o fato de que eu, com tudo isso, ainda te amo. - Ela segurou a cabeça de Marie, com a mão que acariciava o rosto, e bijou-lhe o rosto. Quando fez um movimento para se retirar, Pearl sentiu uma mão em seu rosto.
- Sabe, no ano seguinte eu ainda estava com muita raiva dele. Então, não conseguindo me controlar, dei uma surra nele. Bati tanto, que o cretino acabou contado. Me senti péssima, mas já era tarde demais para voltar atras. Era mais fácil culpar você por tudo. Segui com este pensamento. - Disse Marie docemente , mas com uma profunda tristeza na tom.
- Eu sabia que tinha sido você!
- Espero que não seja tarde demais para um presente.
- Nunca é tarde mais para um presente.
- Eu o deixei aqui, naquele dia. - Marie se adiantou para a mesa, abaixou-se e levantou a toalha. Pearl a seguiu. - Ah. Está tudo como deixamos! Com excessão das teias de aranha. Achei! Toma. Espero que sirva como pedido de desculpas. - entregou o pequeno embrulho empoeirado a Pearl, que se encontrava agaixada ao seu lado.
- Lógico que serve! - Afirmou com um sorriso. - Ah! Um perfume. É parecido com o seu! Você sabe o quanto ou amo este perfume?!
- Bem, eu mesma o fiz, assim como o meu.
- É perfeito. - Pearl colocou o presente em cima da mesa e jogou Marie embaixo da mesma, não se importando com as teias. Subiu em Marie, abaixou a toalha e beijou sua amada. Ela queria acabar com a saudade daquele corpo viciante. queria ouvir aquele gemido que era sua droga ilícita. Subiu as mãos por dentro do vestido de Marie e não agiu mais como uma presidente. Marie, ainda um pouco surpresa com o rápido perdão que conseguira, tratou de aproveitar o momento para acabar com anos de apenas desejos de possuir Pearl  novamente. Ainda estavam nuas e abraçadas embaixo da mesa, quando ouviram uma voz distante.
- Onde se meteu a presidente? Não acho ela em lugar nenhum. - Disse a voz preocupada. - Já estamos completamente atrasados para a cerimônia de formatura.
- E a Fred-sempai sumiu da nossa comemoração já faz um tempo. Disse outra voz - Era a festa de despedida dela.
- Vamos procurar mais um pouco. - E as vozes sumiram.
- Você sumiu, presidente? E já está atrasada. Disse Marie acariciando a nuca de Pearl.
- E você perdeu uma festa e tanto. - Retrucou Pearl beijando o pescoço de Marie.
- Pois é. Mas estava fazendo algo melhor. Vamos? Estamos atrasadas. - Elas se levantaram e se vestiram. - Você vai primeiro para...
- Nada disso. Sairamos juntas. - E saíram da estufa de mãos dadas e sorridentes.

- Presindente... - Disse a primeira voz.
- Fred-sempai... - Disse a segunda voz.
- Juntas?! - Exclamaram as duas vozes em sincronia, vendo o casal  sair da estufa, seu local secreto.


Fim.   

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