O Sonho
Uma pergunta rondava a cabeça de muitas pessoas. Como Camille, uma garota bonita, com boa posição social e que vivia cercada de garotos, fora se apaixonar por Emilie, outra garota? A resposta para esta pergunta era um mistério, até mesmo para Camille, apenas aconteceu. Mas ninguém perguntava como ela descobrira tal sentimento dentro de si. Isto ocorreu há quase dois meses após o fato do carnaval.
Camille acordou no meio da noite, assustada. Ela tivera um sonho, o sonho mais estranho da sua vida. Perguntas invadiam a sua mente. Porque tivera esse tipo de sonho? E com sua melhor amiga? Atordoada, ela sentou na cama. ao olhar para o lado, viu a sua amiga dormindo tranquilamente, alheia ao acontecimento. Emilie já dormira várias vezes ao seu lado, mas naquela noite Camille sentiu algo diferente. Talvez esse "algo diferente já estivesse dentro dela a algum tempo, ela só não queria entender o que era. Agora, ela queria e muito.
A cada momento que ela olhava para Emilie, via flashes de seu sonho. Um segredo inaudível, umas risadinhas, mãos dadas. Emilie soltou um suspiro e ficou de lado, com as costas viradas para Camille. Mais um fragmento. Uma casa, um grande quintal onde procuravam por algo, um fervoroso beijo secreto, uma porta, uma pessoa. Emilie se mexeu novamente, voltou-se para Camille, que enrusbeceu levemente. Outro 'flash'. Um quase flagrante, sua avó, a porta do quarto. Uma cama, outro beijo, escuridão. Uma luz, calor, braços envolvendo seu corpo, nudez, beijo, uma declaração, uma resposta. E Camille acorda assustada. A princípio, Camille não entendera o que acontecera no sonho. Mas, aos poucos, ela começava a compreener o ocorrido. Aos poucos, só lhe restou uma dúvida. Por quê? E esta também lhe foi respondida, só que alguns dias depois.
Camille passou dias pensando no sonho. Emilie percebeu que a amiga estava diferente, mas pensou que fosse estresse, pois a escola estava fazendo os alunos de escravos com os preparativos para a culminância de um projeto. Devido ao tal projeto, elas não estavam conseguindo ficar juntas muito tempo. Nos raros momentos que a dupla conseguia se unir, sempre vinha alguém interromper. Mas naquele dia não fora uma pessoa qualquer, fora o garoto considerado mais lindo da escola, Pierre:
- Emilie, gostaria de saber como está o andamento do cenário? - Pertguntou. E sem esperar resposta, foi explicando - Porque o grupo de teatro está querendo ensaiar no auditório.
- Já está quase pronto. Quando terminarmos mando alguém os avisar. - Respondeu Emilie soirrindo. Camille se incomodava ao ver os dois conversando.
- Com licença, preciso ir a um lugar. - Interrompeu Camille e retirou-se. Ela ficou observando Pierre e Emilie conversarem. Não sabia o motivo, mas estava sentindo um ódio mortal de Pierre, vendo que ele nunca a fizera nada. "Sim", pensava Camille. "Sim, ele fez. Não, está fazendo. Está conversando com a MINHA Emilie!" - resmungou sem perceber . "Quem sabe ele não quer roubá-la de mim?" - especulou. De repente, Camille se deu conta de tudo o que pensara. Percebera que tivera uma crie de ciúmes. Mas não era um ciúme qualquer, era aquele que se sente quando se inveja o outro por estar com a pessoa que lhe é cara, desesperadamente. Aquele que te faz desejar que a pessoas que amas com todas as suas forças não fique com mais ninguém além de ti. Camille soltou uma gargalhada e chegou a sua conclusão. Todos no pátio olharam para ela, mas ela não se importou, pois o único pensamento que preenchia sua mente era: "Eu gosto dela, eu a amo." Finalmente entendera o que o sonho queria lhe mostrar. Agora, a única dificuldade que Camille teria era a de contar tal coisa a Emilie.
Bendita seja a pergunta que ninguém faz. Pois é ela que explica o que as pessoas não querem saber. Talvez elas não as pronuncie porque ficariam espantadas com a simplicidade da resposta. E são as coisas simples que complicam a mente dos seres humanos, principalmente adultos preocupados apenas com status e afins...
Capítulo Especial 2 - Fim
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